20 de jul. de 2010

Heráclito

Ai, porque me anoiteço?
minha escrita fria de pés conjugados
meu caminho maldito,
meus sapatos de barbas de molho, pêlos alheios.

Ai, porque não durmo
e me rendo logo
e me entrego à dança torta das meninices afoitas?

Quanto doce, meu deus!
quanto doce me derrama na cara
me lambuza o queixo
me contorna a boca
sem nenhuma gota
nenhuma gota me roçar a língua e me fazer feliz por toda a próxima eternidade!

Ai, me lamento quente
e no fundo do meu taxo te espero cá, na várzea
para cheias de julho,
chuvas ocasionais de uma eterna seca.

Meu rio que sempre corre.

2 comentários: