2 de nov. de 2010

Se
eu tivesse uma alma ela viria andando pelo corredor
e ficaria recostada no batente da porta toda dengosa, meio amarela,
olhos moles, pulmões chiados.
Chegaria como quem ah, fui ali na esquina e voltei, eu sempre volto; me desculpe, mas se fosse por cigarros não voltaria mais.
E então ela veio.
trouxe a cabeça eivada pelas pancadas contra os azulejos do banheiro.
Antes fosse tombo, queda de tropeço, susto.
Não foi.
Que travessa esta danada autodestrutiva!
Arteira!

Pobr'alma minha agarrada qual carn'aos ossos àquilo qu'exala dor'i ressentimento!

"Vi por gran mal de mi,
pois tam coitad'and'eu."
D. Dinis



Se eu tivesse uma alma...
Não a tenho.
Graças a deus.

4 comentários:

  1. Concordo com tudo o que vc disse. E por causa de um certo exagero tenho me feito de vítima pra mim mesma, porque no fim é isso, não sou nem a “eu=abandona”, nem isso... eu quis e me permiti acreditar em algo que era inconsistente, volátil, desde o começo... parece, na verdade, que eu vivi sozinha o amor e o drama... é dificil, no entanto, não se sentir traída, pelo filho da puta e por mim mesma...

    No momento aguardo algum sinal dessa sensação libertadora e aliviadora de que vc fala, por enquanto em sinto partida e repartida e repartida...

    E vc, fique a vontade para falar demais! Preciso desses ares experientes de vez enquando porque aqui sou eu, a Mallu Magalhães, o twitter e muitas barras de chocolate...

    bieju

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  2. Só pra constar, amei esse post

    "que travessa essa danada autodestrutiva"

    me lembrou os tempos em que eu achava que sofria da síndrome da autosabotagem...

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  3. aahh não, minha amigaaa!
    precisamos conversar sobre coisas mais sérias!
    que negócio é esse de malu magalhães?????????????

    nat, nat! faizissonão, fia!

    hahahha!

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