9 de fev. de 2010

BODA ESPIRITUAL


Tu não estás comigo em momentos escassos:
No pensamento meu, amor, tu vives nua
- Toda nua, pudica e bela nos meus braços.

O teu ombro no meu, ávido, se insinua.
Pende tua cabeça. Eu amacio-a... afago-a...
Ah, como a minha mão treme... Como ela é tua...

Põe no teu rosto o gozo uma expressão de mágoa.
O teu corpo crispado alucina. De escorço
O vejo estremecer como uma sombra nágua.

Gemes quase a chorar. Suplicas com esforço.
E para amortecer teu ardente desejo
Estendo longamente a mão pelo teu dorso...

Tua boca sem voz implora em um arquejo.
Eu te estreito cada vez mais, e espio absorto
A maravilha astral dessa nudez sem pejo...

E te amo como se ama um passarinho morto.


Manuel Bandeira
De como o Bandeira me pegou de jeito
na mesa da cozinha em dezembro de 2003.
E desde então estamos juntos.

2 comentários:

  1. E te procuro como um menino cego
    procura seu brinquedo favorito.

    Mais ou menos Maiakóvski, citado de memória.

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  2. É por aí...

    Gostei, mais um motivo para eu ler Maiakóvski que anda me perseguindo ultimamente.

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